15 curiosidades sobre a história da sexualidade

Patricia ZwippTerra Mulher

Se você acha que sabe tudo sobre sexo, está redondamente enganado. Duvida? Então responda rápido o que a agricultura tem a ver com o ato, que o povo produziu os primeiros manuais sexuais conhecidos e quem criou a figura dos eunucos? Ficou curioso? Pois bem, esses e outros fatos e lendas sobre a sexo fazem parte do livro História da Sexualidade, do historiador americano Peter Stearns, que escreveu uma introdução diferente à edição brasileira.

O autor substituiu alertas sobre o tema, “ainda necessários em função dos elementos puritanos nas culturas norte-americanas”, por uma visão mais entusiasmada, porque o leitor daqui “não precisa de lembretes acerca da importância da sexualidade”. Confira 15 curiosidades sobre o tema e descubra as repostas das perguntas acima:

HISTORIA DA SEXUALIDADE



1) Um mito egípcio de 2600 a.C. diz que Atum, o deus-sol, se masturbou na água e sua ejaculação deu origem ao rio Nilo. Já em um mito sumeriano, é o sêmen de um deus que enche o Tigre e o Eufrates;

2) Entre os nativos norte-americanos, algumas tribos realizavam (e ainda realizam) um rito de iniciação que consiste em levar meninos ao primeiro sinal de puberdade para dormir na casa de homens. Um tio materno era encarregado de penetrá-los com o intuito de torná-los fortes e enchê-los de sêmen para que fossem férteis;

3) Com a introdução da agricultura na história (que surgiu por volta de 9000-8000 a.C. na região do mar Negro e Mesopotâmia), a maior parte das pessoas começou a se fixar em um só lugar. A habitação agrícola e a vida comunitária fizeram com que passasse a ser normal as crianças verem seus pais mantendo relações sexuais, já que os membros das famílias dormiam muito próximos;

4) A disponibilidade de animais domésticos produziu novas oportunidades para o bestialismo ou zooerastia (relação sexual com animais). Com o tempo, todas as sociedades agrícolas aprovaram regras severas contra a prática. Vale acrescentar que um estudo sobre os hábitos sexuais dos norte-americanos em meados da década de 1940 revelou que 1/4 de todos os homens das zonas rurais já tinham mantido algum tipo de contato sexual com bichos;

5) As sociedades agrícolas desenvolveram uma gama de práticas homossexuais ou bissexuais. Alguns grupos de sacerdotes (entre os mesopotâmicos, por exemplo) usavam o sexo anal como meio de conexão com os deuses, o que refletia a crença de que o orgasmo tinha qualidades espirituais e que as atividades homoeróticas refletiam capacidade espiritual;

6) Na Mesopotâmia, o Código de Hamurabi, elaborado por volta de 1700 a.C., estipulava que os homens poderiam manter concubinas e amantes, pelo menos enquanto a esposa não tivesse filhos, e as mulheres eram instruídas a defender sua honra sexual acima de tudo. Se alguém apontar o dedo para a esposa de outro alguém a acusando de adultério, mesmo que ela não tenha sido surpreendida em flagrante com outro homem, ela deverá ser amarrada e jogada dentro do rio. Achavam que, supostamente, se fosse inocente, não se afogaria;

7) A China produziu os primeiros manuais sexuais conhecidos, que eram bastante detalhados e realistas, embora com termos poéticos. O pênis era a cauda do dragão celestial ou a haste de jade, enquanto o orgasmo era descrito como uma explosão de nuvens;

8) A civilização clássica chinesa, que veio à tona com a evolução da dinastia Zhou, a partir de meados de 1050 a.C., criou um grupo de eunucos, homens submetidos à castração que passavam a realizar certos tipos de tarefas, como guarda do harém imperial. No inicio, o procedimento era um castigo para os condenados por crimes de traição. Muitos eunucos se tornaram conselheiros e confidentes do imperador, chegando a acumular grande influência e poder;

9) Na Grécia Antiga, o casamento e a mulher desempenhavam papel reprodutivo. Nem todas as representantes do sexo feminino aceitavam a condição de bom grado e alguns grupos podem ter explorado alternativas sexuais. Por volta de 500 a.c., surgiu na região de Mileto, no continente grego, uma indústria de manufatura de “consolos” ou pênis artificiais, feitos de madeira e couro almofadado, usados com azeite de oliva como lubrificante;

10) Muitos gregos demonstravam interesse pelo controle da natalidade, dificultado em alguns casos pela ignorância sobre a maneira precisa de concepção dos bebês. Na Antiguidade, boa parte da população acreditava que os recém-nascidos surgiam de partículas trazidas pelo ar. Alguns gregos ainda faziam oferendas aos deuses para ocorrer o aborto de um filho indesejado e usavam uma mistura de sulfato de cobre como contraceptivo. Há indícios também da crença de que o orgasmo feminino ajudaria a engravidar;

11) Na Grécia, o contraste com as circunstâncias repressivas da vida real era a sexualidade franca e aberta e, por vezes, devassa dos deuses gregos. A deusa Afrodite, por exemplo, mantinha vários casos amorosos com deuses e humanos, embora fosse casada com Hefesto. Os sátiros, embora não fossem deuses, faziam parte da mitologia e eram sempre retratados com pênis enormes e eretos, com representações que incluíam masturbação, sexo com animais e perseguição a mulheres inocentes;

12) O desenvolvimento da sociedade de Roma manteve ou copiou diversos temas gregos. Os romanos chegaram a acrescentar ao panteão o deus Príapo, associado à sexualidade e à fertilidade, sempre retratado como um pênis ereto e, em geral, gigantesco. As representações artísticas de Príapo eram comuns na decoração das casas. Nas da elite, eram mais contidas que nas da camada pobre, que chegavam a incluir cenas de sexo oral, anal e com animais;

13) Os romanos também produziram um grande número de manuais do sexo. A maioria levava em conta o desejo das mulheres e o prazer dos homens, que deveriam se esforçar para que as parceiras atingissem o orgasmo;

14) Na Índia, berço da última grande civilização clássica, a relação entre sexo e espiritualidade era crucial. As primeiras histórias sobre deuses e deusas invariavelmente envolviam temas sexuais;

15) Os indianos produziram uma infinidade de manuais sexuais, incluindo o famoso Kama Sutra. Nele, são descritas várias maneiras de aumentar o prazer tanto dos homens quanto das mulheres, dedicando a maior parte das atenções às preliminares.

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