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A evolução do Pensamento Geográfico

A História do Pensamento Geográfico é um ramo da disciplina geográfica em que se estuda os postulados, pensamentos e correntes dos autores que contribuíram para a sistematização da geografia como disciplina acadêmica no Século XIX.

A Geografia teve seu início na Grécia Antiga e era chamada de História Natural ou Filosofia Natural. O ocidente era dominado por gregos interessados em descobrir novos territórios, por isso a necessidade do conhecimento do ambiente físico e até de fenômenos da natureza se fazia necessário.

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O Pai da Geografia, em sua especulação sobre o formato da Terra, acabou escrevendo um obra de 17 volumes, ‘Geographicae’. Nessa obra, Strabo descrevia suas próprias experiências no mundo e, apesar de muitos equívocos registrados em seus estudos, ele se tornou o pai da geografia.

Os grandes herdeiros da geografia grega foram os árabes e isso resultou em muitos trabalhos traduzidos do grego para o árabe. Esse povo acabou recuperando e aprofundando o estudo da geografia e, já no século XII, Al-Idrisi apresentaria um sofisticado sistema de classificação climática. Em viagens à África e à Ásia, outro explorador árabe, Ibn Battuta, encontrou a evidência concreta de que, ao contrário do que afirmara Aristóteles, as regiões quentes do mundo eram perfeitamente habitáveis.

A confirmação do formato global da Terra veio quinze anos mais tarde, em uma viagem de circunavegação realizada pelo navegador português Fernando Magalhães, permitindo mais precisão das medidas e observações.

No século XIX, cientistas como Alexander Von Humboldt (1769-1859), Karl Ritter (1779-1859) e Friedrich Ratzel (1844-1904) elaboraram trabalhos sobre os princípios metodológicos da Geografia. Isso a tornou uma ciência explicativa e não mais apenas reduzida à tarefa da descrição.

Ratzel, no final do século XIX, considerou a influência exercida pelas condições naturais na vida do ser humano como objeto de estudo da Geografia. A partir daí, originou-se o ‘determinismo geográfico’ que foi influenciado pelas teorias de Lamarck e de Darwin.

Através de sua obra ‘Antropogeografia’, Ratzel defende que as leis regedoras da história humana são as mesmas que regem as espécies vegetais e animais. Conforme esse autor, o homem é produto do meio geográfico em que vive e o meio natural exerce uma ação dominadora sobre o homem, o qual deve se submeter àquele meio.
Indiretamente, o pensamento determinista geográfico acabou responsável por partes das teorias de superioridade racial surgidas nos séculos XIX e XX e, também, serviu de base para a expansão do capitalismo neocolonial nos séculos XVIII e XIX.

No século XX, a geografia passou a lidar com novos conceitos e métodos. No começo, a geomorfologia foi o campo geográfico de maior atração, onde predominavam as teorias do americano William Morris Davis – que desenvolveu o conceito de ciclo de erosão e constituiu uma nova geração de profissionais da geografia.

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O advento da fotografia aérea demonstrou ser um útil instrumento de trabalho, mas ainda mais eficiente foi a tecnologia advinda do sensoriamento remoto, que resultou em novas formas de análises. Podemos citar entre essas, a geografia da percepção, que admite que qualquer indivíduo tenha sua própria visão sobre o meio em que vive e é mensurada através de mudanças na economia, na sociedade, cultura e nas pessoas; a geografia radical, que tem foco na observação analítica dos processos ocorridos na sociedade como a desigualdade, o subdesenvolvimento e a pobreza; e a geografia de gênero, que foi criada na década de 80 no Reino Unido e nos Estados Unidos e tem uma pequena ligação com o movimento feminista, analisando as relações entre homens e mulheres em cada área geográfica e a função da mulher na sociedade.

As metodologias de trabalho da Geografia tiveram evolução rápida nas recentes décadas graças aos avanços da computação e ao uso de sistemas de análise remota da superfície da Terra.

Fonte: http://www.controversia.com.br/index.php?act=textos&id=8966

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