Indicação da semana: HISTÓRIA DA IMPRENSA NO BRASIL
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As sábias palavras de José Mindlin – o maior bibliófilo brasileiro


jose_mindlin José Mindlin é o maior bibliófilo brasileiro e – talvez – o maior do mundo. Filho de pais russos, imigrados para o Brasil no começo do século passado, advogado, fundador da Metal Leve (fabricante de autopeças), repórter de “O Estado de S.Paulo” e ex-secretário de Cultura do governo Paulo Egydio Martins, Mindlin define as etapas do processo em que se estabelece a compulsão patológica, o “verdadeiro vício”, pelos livros.

Primeiro se começa com as edições comuns. Depois vem o interesse pelo livro bonito, com ilustrações e bem diagramados. A próxima é a busca das primeiras edições de um determinado título. Passa-se, então, a procurar exemplares autografados. A última etapa é a consciência da raridade. E aí você está definitivamente perdido.

O intelectual admite que manter uma biblioteca em casa é algo que dá prazer, mas argumenta que “ter o livro não deveria ser a condição para se ler”. Para ele, é obrigação do governo — com a colaboração dos empresários — a formação de bibliotecas, principalmente em escolas públicas de ensino fundamental e médio. Com isso, estaria-se estimulando o hábito principalmente entre as crianças. “O interesse cada vez maior pela leitura também formará um grupo maior de patrocinadores. Quem gosta de ler tem o prazer de que isso seja transmitido”, ensina ele, que é considerado um dos mais importantes mecenas brasileiro do livro. “Eu tenho procurado sempre inocular o vírus da leitura e do gosto pelos livros para um maior número de pessoas.”

E falando nisso, ele comentou a afirmação de Rubem Alves de que a leitura não deve ser mero hábito, mas prazer:

Hábito ou gosto, o fato é que a leitura deve entrar na nossa vida. Quando eu ia levar as crianças para a escola, tinha que chegar às 7h10. Encostava o carro debaixo de uma árvore e lia até 8h45. Uma hora e meia de leitura diária. Naquele tempo não havia assaltos, ou telefone celular - que até hoje não uso. Em geral, gosto de ler um livro até o fim. Mas, se não me dá prazer, eu deixo. O livro não é só uma fonte de conhecimento. Você tem que gostar do que está lendo. O livro é, principalmente, uma fonte de prazer. E nisso Rubem Alves está certo.

Leia a entrevista completa no Almanaque Brasil.

Recentemente ele doou a parte mais importante de sua coleção inestimável para a USP, a Brasiliana, que contém os livros com assuntos relativos ao Brasil, de autores brasileiros ou estrangeiros, com algo entre 25 e 30 mil exemplares. Com isso, se assegura a continuidade da biblioteca, uma fonte de pesquisa e de estudo respeitável.

Fontes: Alessandro Martins e Escritório do livro


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