Archive for the ‘lançamento’ Category
Tuesday, October 14th, 2008
“Um dicionário deve ser um ser vivo, uma súmula de vida, mais um objeto de aprendizagem que um objeto de luxo.”
José Lins do Rego. Poesia e vida: um dicionário.
Depois de muitos anos fora do mercado, vem à luz, agora pela Editora Contexto, uma nova edição do livro Dicionário de semiótica, de Algirdas Julien Greimas e Joseph Courtés. Este dicionário não é como os outros dicionários de linguística. No seu título em francês, há um termo que indica isso: raisonné. Essa palavra corresponde, em português, ao adjetivo razoado, que é um vocábulo desconhecido e desusado e, por isso, não foi utilizado no título da edição brasileira.
Evidentemente, um dicionário raisonné tem como referência a célebre Enciclopédia ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers, publicada de 1751 a 1772, sob a direção de Diderot e D’Alembert. Essa obra pretendia-se uma síntese de todos os conhecimentos produzidos até então e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre eles. Um dicionário razoado da ciência da linguagem, assim como de qualquer outro domínio do conhecimento, não é como os outros, pois não é uma lista heterogênea de entradas, recenseando todos os termos criados e utilizados pela ciência da linguagem ao longo da História, cada um remetendo a uma vizinhança conceptual diferente e a fundamentos teóricos divergentes. Um dicionário razoado não é eclético. Ao contrário, ele faz uma reflexão sobre os conceitos, inscreve-os no contexto teórico próprio, examina sua comparabilidade com outros e analisa a possibilidade de uma homologação entre eles. Ele tem uma direção teórica. Seu objetivo não é apresentar todo o conhecimento adquirido, mas enunciar problemas e circunscrever um campo de saber e de investigação. Faz uma síntese interpretativa do conhecimento em função da teoria que esposa.
O Dicionário de semiótica, de Greimas e Courtés, é um esforço de balanço do estabelecimento da semiótica como campo do conhecimento. Saussure já propusera a elaboração de uma teoria geral do signo, que seria chamada semiologia. É, no entanto, Greimas quem lidera o projeto coletivo que transforma em realidade o desiderato saussuriano, não mais concebido como teoria geral dos signos, mas como teoria geral da significação, que se debruça sobre os textos, considerados como manifestação, que se apresenta em qualquer substância da expressão (verbal, pictórica, gestual, etc.), de um discurso. Neste dicionário, estão, sob a forma de verbetes, todos os conceitos maiores da teoria semiótica, os princípios gerais que constituem sua base, os elementos que formam sua substância. Ao mesmo tempo, aparecem conceitos de outras origens teóricas, mas sempre pensados a partir das possibilidades de comparação e de homologação com as noções da semiótica. Essa obra é um inventário dos termos utilizados pela semiótica no momento em que ela foi redigida. Por isso, disse-se acima que se trata de um balanço. No entanto, cabe lembrar, como mostrava Barthes ao estudar as pranchas da Enciclopédia, que um inventário “não é uma idéia neutra, recensear não é somente constatar, como parece à primeira vista, mas é também apropriar-se”. A apropriação é uma forma de “fragmentar o mundo, dividi-lo em objetos finitos, submetidos ao homem na proporção mesma de sua descontinuidade, porque não se pode separar sem nomear e classificar” (Barthes, Roland. Nouveaux essais critiques. Paris, Seuil, 1972; Novos ensaios críticos. São Paulo: Cultrix, 1974, p. 27-41). Com efeito, há um ponto de vista teórico a presidir à seleção dos termos e à elaboração dos verbetes, que contém sempre uma síntese interpretativa do conceito em questão.
Uma teoria pode ser apresentada de modo contínuo, como uma exposição, ou de maneira descontínua, como um dicionário. A primeira é a forma habitual de expor uma doutrina. No entanto, como lembram Greimas e Courtés, isso exige que todos os seus pontos tenham o mesmo nível de elaboração teórica. Já a apresentação descontínua permite pôr lado a lado segmentos metalinguísticos cujo grau de elaboração e de formulação é muito desigual. Evidentemente, ela tem o grave inconveniente de que o corpo dos conceitos é exposto de maneira dispersa, porque eles são organizados alfabeticamente. Para evitar isso, o dicionário apresenta um duplo sistema de remissões: a) a termos colocados no final do verbete; b) a vocábulos marcados com asterisco. Assim, o dicionário permite três percursos de leitura: 1) a leitura alfabética, que é utilizada para consultar o significado de um termo em semiótica ou a maneira como ela vê uma noção de outra teoria; 2) a leitura do verbete e daqueles que têm como entrada os termos indicados ao final, que formam um conjunto de imbricações conceituais e são, assim, verdadeiros artigos (por exemplo: enunciação: ato de linguagem, debreagem, competência, intencionalidade, enunciado); 3) a leitura do verbete e daqueles que se referem a vocábulos indicados com asterisco, que permite situar o termo no interior de um componente da teoria, dando a ele um lugar epistemológico. Essas leituras cruzadas constituem caminhos ou rotas de viagem, que remetem à ordem enciclopédica, à organização razoada. São caminhos sugeridos. São indicações de passeios. Cabe ao leitor percorrer o dicionário como quiser, porque ele autoriza numerosos percursos. É um verdadeiro hipertexto.
Além disso, a apresentação da teoria em ordem alfabética, que admite, com mais facilidade, exclusões, alterações, acréscimos, indica, como dizem Greimas e Courtés, uma ideologia do saber. Um projeto científico, para eles, só têm sentido se for um objeto de busca coletiva. Por outro lado, deixa-se claro que a ciência não está nunca acabada, que ela não apresenta jamais formulações definitivas, que ela não é feita de certezas, mas que comporta determinadas permanências de objetivos.
Um dicionário, diz José Lins do Rego, é um ser vivo. Um dicionário científico, como todo e qualquer discurso, deixa ver seu direito e seu avesso: o que afirma e o que recusa. Assim, estão presentes na obra de Greimas e Courtés as grandes polêmicas científicas do século xx. Dele podemos extrair mil histórias (afinal, a narratividade é um dos componentes do percurso gerativo de sentido de todo e qualquer texto): as da criação de um campo do saber, com seus impasses, suas conquistas, suas derrotas; as da sua filiação teórica; as das exclusões e as das recuperações; as da constituição de um espaço discursivo e de um campo discursivo… Estão aí os gestos teóricos primeiros, com suas delimitações e cortes bem precisos, mas, ao mesmo tempo, subjaz a ele o desejo da totalidade. Este dicionário é uma história da semiótica da época em que foi escrito (estão de fora desenvolvimentos posteriores como a semiótica tensiva, a semiótica das paixões, a problemática da presença, etc.), mas é, ao mesmo tempo, um instrumento ainda não superado de compreensão das aquisições da semiótica e também de apresentação de possibilidades e perspectivas de trabalho. Portanto, ele está, ao mesmo tempo, voltado para o passado e orientado para o futuro. É um mapa que nos permite navegar pelo universo da significação, perdendo-nos, encontrando-nos, desconstruindo, reconstruindo, hesitando, duvidando, tendo certezas, provisórias é verdade, mas certezas. Este dicionário não fecha, abre rotas, sendeiros, caminhos… Ele desafia a imaginação dos pesquisadores, incita-os ao trabalho acadêmico. Pelo seu rigor, é exigente; pela amplitude de horizontes, é instigante. Ele não fala só ao pensamento; ele propõe-se, principalmente, a despertar a paixão do conhecimento rigoroso, mas elegante.
É preciso demorar-se sobre ele, com a paciência do conceito, é necessário saboreá-lo para não dizer inverdades e difundir preconceitos sobre a semiótica. Ela não é uma fôrma em que se enfiam todos os textos. Só quem não sabe semiótica é capaz de dizer isso ou apresentar análises escolares que dão a entender isso. Ela não recusa a História, mas, segundo lição de Hjelmslev, recupera-a a partir de um princípio de imanência. A semiótica, com seu modelo teórico, que leva em conta acima de tudo a previsibilidade, é uma ciência absolutamente necessária em nossa época, em que novos objetos textuais, nos quais os sentidos se manifestam por meios de diferentes planos de expressão, ganham um relevo muito grande por causa da rede mundial de computadores. Afinal, ao se pretender uma teoria geral da significação, ela levava em conta todos os tipos de texto, entre os quais, os sincréticos. É para a aventura do conhecimento de nosso mundo, com suas novas maneiras de textualizar, que este dicionário nos convida, nos desafia, nos aparelha.
São Paulo, inverno de 2008.
José Luiz Fiorin
(prafácio do livro Dicionário de semiótica)
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Tuesday, September 23rd, 2008
O fascínio da fotografia sobre todos nós está naquilo que por meio dela nossos olhos visitam em nosso passado, no de nossos antepassados e de nossos contemporâneos. Está também na nossa estranha relação com os álbuns de família ou as caixas de sapato em que guardamos esses ícones da nossa memória afetiva.
Recheado de fotografias, este livro mostra como o visual vem se tornando cada vez mais documento e instrumento indispensáveis na leitura sociológica de fatos e fenômenos sociais.
José de Souza Martins – um dos mais importantes sociólogos brasileiros – coloca-se em uma linha antagônica à de Howard Becker, pai da Sociologia Visual (campo em que a obra se situa), marcada por um forte positivismo, que violenta a polissemia da fotografia.
Os capítulos abordam ocultações e revelações intrínsecas às imagens: a vida cotidiana, os atos de fé, a imagem comum, a presença do ausente no Carandiru, o impressionismo na fotografia e a sociologia da imagem.
A obra, situada no campo da metodologia na Sociologia, é leitura importante e necessária para sociólogos, historiadores, antropólogos, fotógrafos e estudiosos da fotografia.
José de Souza Martins é um dos mais importantes cientistas sociais do Brasil. Professor titular de Sociologia da FFLCH – USP, recebeu o prêmio Érico Vannucci Mendes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 1993, pelo conjunto de sua obra e o prêmio Florestan Fernandes da Sociedade Brasileira de Sociologia em 2007. Pela Contexto, publicou A sociabilidade do homem simples.
Para saber mais sobre o livro e adquiri-lo, acesse:
http://editoracontexto.com.br/livro.php?livro_id=423
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Wednesday, September 17th, 2008
Este é o segundo e último volume de Os monoteístas. Junto com o primeiro, recentemente publicado pela Editora Contexto, formam uma obra completa sobre judeus, cristãos e muçulmanos. São volumes interdependentes, não sendo essencial que se leia o primeiro para se entender este, ou vice-versa. Mas não é difícil prever que, concluído um volume, fatalmente o leitor se interessará pelo outro…
Enquanto o primeiro compara os povos que adotaram o monoteísmo e descreve sua trajetória histórica, este se preocupa em falar das crenças, mostrando o desenvolvimento das idéias – principalmente as religiosas – e das instituições. Aqui o autor se ocupa em mostrar a evolução daquelas que são consideradas as verdades religiosas, desde a confecção até a cristalização das Escrituras, suas interpretações oficiais ou tradicionais, assim como eventuais ramificações e desvios de rumo, como as heresias.
Nessa linha, o livro dá a palavra aos grandes “explicadores”, como Maimônides, Agostinho e Ibn Khaldun, assim como revela as formas encontradas pelas pessoas para seguir as palavras divinas (como eremitas, monges, rabis, comunidades fechadas, comunidades minoritárias, grupos hegemônicos) e ensiná-las (escolas religiosas, ensino religioso).
Um dos aspectos mais fascinantes do livro é quando ele compara noções e conceitos como: pecado, paraíso/céu/inferno/purgatório, anjos, demônios, messias, santos ou outros intermediários, possibilidades e limites da ação humana (assuntos como livre-arbítrio, predestinação, responsabilidade, impotência diante dos desígnios divinos ou possibilidade de interseção, ou seja, de “negociação” com Deus), o Fim dos Tempos, os castigos e as recompensas.
A obra termina falando dos cultos e das principais festas religiosas (inclui peregrinações, períodos de purificação etc.), das liturgias, dos ídolos e das representações, de algumas devoções “oficiais” e de crenças populares.
O que este livro tem de diferente? Primeiramente o autor, que além de grande especialista, escreve bem, tem texto claro e vigoroso. Deve-se notar que, embora muitas vezes irônico, mantém o respeito, não é tendencioso e busca a neutralidade, preocupando-se com conclusões apenas após fornecer as informações, algo meio incomum na área.
O livro foi objeto de cuidadosa tradução. O leitor desta obra ficará com uma base sólida para entender de uma área sobre a qual sobram mitos e faltam boas análises, principalmente em língua portuguesa.
Conhecer bem o assunto não reforçará nem abalará a fé das pessoas, mas seguramente fará com que elas fiquem mais tolerantes. É sempre bom compreender as razões do outro. Ou até poder criticá-lo com mais fundamento.
Para mais informações sobre o livro, acesse:
http://editoracontexto.com.br/livro.php?livro_id=418
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Tuesday, September 16th, 2008
É possível conhecer a Filosofia a partir de sua história? Paulo Ghiraldelli Jr., autor deste livro, escrito especialmente para o público brasileiro, garante que sim.
Por meio de uma narrativa agradável e fascinante, que parte dos chamados pré-socráticos e chega até Santo Agostinho, trata de questões como o Bem, o Estado justo, a finalidade da vida, problemas que sempre fizeram e continuam fazendo parte de nossas preocupações.
Se antes eram poucos os privilegiados que podiam entrar na Academia de Platão, hoje conhecer filosofia é importante para uma gama maior de pessoas.
O objetivo desta obra é tornar cada leitor um pensador autônomo. Afinal, garante o autor, filosofar não é tão difícil assim.
Trecho do livro:
A história da filosofia é uma história. É apenas uma história? Para a maioria dos grandes filósofos, a história da filosofia era por si mesma filosófica – e seu leitor não iria “ficar sabendo de fatos”, mas iria começar a filosofar por meio dela. Por isso, vários dos grandes filósofos filosofaram escrevendo uma história da filosofia. (…)
[Leia a apresentação completa da obra]
Para saber mais sobre o livro, acesse:
http://editoracontexto.com.br/livro.php?livro_id=421
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Monday, September 8th, 2008
Pronto. O sonho finalmente tem chances de virar realidade. O primeiro trabalho em uma redação. E agora? O que esperar? Como são os colegas? Chefe? Entrevistados? O que fazer? Como se portar? E, principalmente, como conseguir ser um bom repórter?
Em “Os segredos das redações“, o jornalista saberá como é o dia-a-dia do ofício que escolheu seguir. Visitará os bastidores de uma das profissões mais romantizadas do planeta.
Em um livro ousado, Leandro Fortes evita dizer como a profissão deveria ser. Ele conta como ela é. E isso inclui dizer que “há regras obscuras dentro das redações, muitas delas ditadas por chefes sem escrúpulos, puxa-sacos subservientes e sem caráter”. E ainda que “o jornalismo é uma profissão apaixonante, viciante e corajosa, cheia de boas conseqüências para a sociedade, mas repleta de alminhas pequenas abertas ao suborno e ao achaque”.
Obra imperdível para jornalistas e estudantes de comunicação.
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Monday, September 8th, 2008
Não é raro que o mesmo jornalista entreviste hoje um astro de rock, amanhã seja escalado para conversar com um político e no dia seguinte cobrir a coletiva de uma cientista renomada. E como conseguir boas matérias de personalidades tão diferentes? Como dominar tantas informações e torná-las inteligíveis ao leitor?
Este livro mostra as técnicas do jornalismo, da pauta ao texto. Ao embasamento teórico, a professora da UnB Thaïs de Mendonça Jorge agrega a experiência adquirida em alguns dos principais meios de comunicação do país. Assim, “Manual do foca: guia de sobrevivência para jornalistas” explica conceitos como notícia, lide e pirâmide, sempre recheando de exemplos.
Ainda trata, com especial atenção, da pauta, da reportagem, da apuração e da entrevista. Para quem ainda não está familiarizado com o jargão da área, o glossário certamente esclarece as principais dúvidas. Guia imperdível aos jornalistas, estejam eles nas redações ou nas salas de aula.
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Monday, September 8th, 2008
Se o Ocidente tivesse levado a sério Jack Goody, teria entendido melhor o desenvolvimento supostamente inexplicável da China, assim como o surgimento dos “tigres asiáticos” e do próprio “milagre japonês”. O mundo não se resume à Europa e aos países de colonização européia. Óbvio? Talvez. Mas o fato é que nunca houve um livro como este.
Pesquisador cuidadoso, dono de erudição extraordinária, acumulada em seus quase 90 anos de vida, Goody tem uma obra variada e muito respeitada. Transita por temas tão distintos como a família, o feminismo, a cozinha, a cultura das flores, o contraste entre a cultura ocidental e oriental, e até o impacto da escrita em diferentes sociedades. Seu livro O roubo da história, que acaba de sair na Inglaterra e que apresentamos ao leitor brasileiro, é uma espécie de síntese e revisão de suas pesquisas e pensamento. Aqui ele critica aquilo que considera um viés ocidentalizado e etnocêntrico, difundido pela historiografia ocidental, e o conseqüente “roubo”, perpetrado pelo Ocidente, das conquistas das outras culturas. Goody não discute apenas invenções como pólvora, bússola, papel ou macarrão, mas também valores como democracia, capitalismo, individualismo e até amor. Para ele, nós, ocidentais, nos apropriamos de tudo, sem nenhum pudor. Sem dar o devido crédito.
Não reconhecer as qualidades do outro é o melhor caminho para não se dar conta do potencial dele. E Goody analisa que certo desprezo pelo Oriente pode ainda custar muito caro ao mundo ocidental. Assim, ele acusa teóricos fundamentais, como Marx, Weber, Norbert Elias, e questiona enfaticamente Braudel, Finley e Anderson por esconderem conquistas do Oriente e mesmo por se apropriarem delas em seus escritos. Arrasa os medievalistas que querem transformar um período violento, repressivo, dogmático e sem muita criatividade (a Idade Média) em algo simpático e palatável, só por ser, supostamente, a época da criação da Europa. E mostra que, ao menos em termos de capitalismo mercantil, o Oriente tem sido, ao longo da História, bem mais desenvolvido do que o Ocidente.
Claro que suas conclusões são polêmicas. Mas atenção: este livro não é um simples ensaio, um trabalho apenas opinativo. Considerado um dos mais importantes cientistas sociais do mundo, Goody tem uma obra sólida, consistente, plena de informações e de comparações, reconhecida por colegas como Eric Hobsbawm, com quem estudou e trabalhou. Neste livro recorre a pesquisas feitas na Ásia e na África (muitas realizadas por ele mesmo) para dar peso às suas teses. Assim, mesmo que se venha a discordar de alguns de seus pontos de vista, ou conclusões, temos muito a aprender com ele, principalmente como entender o mundo globalizado – e não sob uma ótica puramente econômica. Mais que um grande intelectual, Jack Goody é um verdadeiro cidadão planetário. E neste livro, apaixonado e apaixonante, abre uma janela para aqueles que querem descortinar o mundo.
Para saber mais sobre o livro e adquiri-lo, clique aqui.
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Tuesday, July 22nd, 2008

O português do Brasil, com suas variantes regionais, é bem mais vocálico do que o de Portugal, mais consonantal. Nós achamos que eles “engolem” letras. Eles acham que nós falamos “descansadinho”. Mas, se não chegamos a um consenso sobre a forma de falar, seria possível ao menos um acordo sobre como escrever? É esse o objetivo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Este livro trata da gênese, do desdobramento e do alcance do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e faz uma breve explanação acerca do processo de consolidação da ortografia da língua portuguesa, que se reporta diretamente à especificidade da escrita diante da fala.
O primeiro capítulo enfoca, sob a perspectiva histórica, as infindáveis relações entre a ortografia e a língua portuguesa. Já o segundo capítulo discute o atual estágio da questão ortográfica, tanto em Portugal quanto no Brasil, procurando observar os principais eventos diretamente relacionados ao novo Acordo.
Finalmente, o terceiro capítulo detalha as alterações – na prática – do Acordo. Para facilitar o entendimento, essa parte traz sempre os vocábulos “antes do acordo” e “a partir do acordo”. O livro reproduz, ainda, as novas regras, integrais, no capítulo “O Acordo”.
O livro chega em nossa editora no dia 31 de julho de 2008.
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Friday, May 16th, 2008
Depois do sucesso de História das guerras, conheça os tratados que edificaram a ordem internacional de uma época ou inscreveram em pedra os conceitos perenes da “lei das nações”
Sempre houve pessoas empenhadas em evitar guerras, prevenir situações de conflito, preservar a natureza e evitar a proliferação de artefatos nucleares. Mas será que, ainda assim, a insanidade dos homens conduzirá o planeta à sua destruição por conta de guerras nucleares e desequilíbrio ecológico? Será que temos feito esforços adequados para manter a paz entre nações e a habitabilidade deste nosso abrigo comum?
O sociólogo Demétrio Magnoli, reuniu uma armada poderosíssima para contar a História da paz, lançamento da Editora Contexto. Nessa legião da paz tem jornalista, historiadores, ex-ministro das Relações Internacionais, doutor em Economia, diplomata, coronel de Estado-Maior, embaixador, doutora em Relações Internacionais e em Ciência Política. Todos grandes especialistas em suas áreas.
“Evidentemente, ninguém imagina que basta todos vestirem branco e se dar as mãos para que a paz universal envolva pessoas e animais, montanhas e oceanos”, comenta Magnoli. Para ele a paz é muitas vezes resultado de acordos diplomáticos entre líderes. Em História da paz, os tratados que edificaram a ordem internacional de uma época ou até mesmo registraram de forma duradoura os conceitos e leis de nações, são destrinchados e analisados pelos autores, desde o século IV até os nossos dias.
Por vezes, esses arranjos resultam de divisão de butins. Por vezes, são feitos para humilhar os perdedores. Nem sempre satisfazem a todos. Podem até conter, nos seus termos, indícios de uma nova guerra. Alguns emanaram de guerras gerais e implantaram uma ordem nova. Outros definiram a natureza, o conteúdo e os limites do poder de impérios e grandes potências. Os ecos de todos eles continuam a repercutir entre nós.
História da paz estabelece, de certa forma, um diálogo com História das guerras, também organizado pelo Demétrio Magnoli e recentemente publicado. Em meio a guerras e situações de conflito, a paz pode surgir como fruto de conquistas, de esforços diplomáticos, conciliação entre poderosos e acordos entre iguais e desiguais.
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Wednesday, April 9th, 2008
Quando o simples criador de cabras lá no Oriente observou que um dos seus animais ficara eufórico após comer o fruto do café, não imaginava que a partir dali nasceria uma das bebidas mais consumidas no mundo. Seu alcance foi realmente além da imaginação. Traçou o perfil e a história de muitos países que se desenvolveram à sua sombra, vincando-lhes a sociedade e a cultura. Essa identificação imediata pode ser medida no Brasil, até hoje o maior produtor mundial de café.
O livro História do café, escrito pela historiadora do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), Ana Luiza Martins, faz um traçado do que o café representou e representa econômica, cultural e socialmente. Sobretudo no Brasil.
A autora conta como as safras generosas, nascidas dos cafezais brasileiros, sustentaram o Império, fizeram a República e hoje geram divisas significativas para a economia do país. Sua competitividade atinge novos patamares, com excelência de sabor, aroma e corpo – os três itens básicos para a classificação e a apreciação da bebida.
O livro História do café ultrapassa os aspectos agronômicos ou mesmo iconográficos. Transformar o café em bebida deliciosa sempre implicou longo e, por vezes, penoso processo, até que o produto chegasse ao destino final, para ser apreciado e disputado nas mesas do mundo. “Plantar, colher, beneficiar, despachar e comercializar o grão aromático são tarefas complexas que precedem seu consumo, etapas que não são de pouca monta”, relata a escritora.
Devida essa vasta abordagem do tema, que se confunde com a própria História do Brasil, a autora colocou quatro partes distintas e primordiais para o entendimento da importância do café. Na primeira, o livro fala das origens na África, seu avanço no Oriente e a chegada no Brasil. Na segunda, volta-se para a sua difusão no Brasil e a sua preponderância na construção do Império. Na terceira, o produto divide a República em dois momentos: antes e depois da crise de 1929. Na quarta parte, Ana Luiza Martins analisa o avanço contemporâneo das plantações de café e as práticas que vêm definindo seu uso, manejo e consumo no novo milênio.
Das floradas brancas dos cafezais, passando pela colheita da cereja vermelha e pelo ensacamento do grão classificado, até se verter o saboroso líquido negro negociado internacionalmente, esse fruto exótico, em sua origem, tem desencadeado intensa mobilização de homens, máquinas, economias, sociedades e políticas, definindo parte dos destinos do mundo. O café abriu estradas rodoviárias e ferroviárias, como uma onda verde invadiu sertões e marcou a Era Vargas em momentos distintos. Nas reuniões diplomáticas, o café era o assunto e a bebida principal.
“Não há exagero nesse registro”, alerta a autora. Desde sua descoberta, a Coffea arabica traçou novas rotas comerciais, aproximou países distantes, criou espaços de sociabilidades até então inexistentes, estimulou movimentos revolucionários, inspirou a literatura e a música, desafiou monopólios consagrados, mobilizou trabalhadores a serviço da Revolução Industrial, tornou-se o elixir do mundo moderno, consolidando as cafeterias como referências internacionais de convívio, debate e lazer.
Para finalizar, um conselho da autora: tome um cafezinho antes de iniciar o livro. “Ele tem o condão de reavivar o espírito, ajudar a memória, tornar maior seu prazer”.
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