O ano de 2009 marca o centenário de nascimento de dom Helder Camara, talvez a figura mais brilhante e polêmica que a Igreja brasileira já produziu.
Quem foi dom Helder Camara? Líder político nato, como acham alguns, mensageiro da paz, como dizem outros? Figura carismática e controversa, autor da célebre frase “Se eu dou comida a um pobre, me chamam de santo, mas se eu pergunto por que ele é pobre, me chamam de comunista”, o arcebispo foi perseguido pelo regime militar após o golpe de 1964 por sua intransigente defesa de presos políticos. Foi nesse período que teve a candidatura ao prêmio Nobel da Paz inviabilizada e quando notícias a seu respeito foram proibidas na imprensa. Além disso, sua pregação libertária resultou em choques de filosofia com o Vaticano. Contudo, hoje é candidato a santo da mesma Igreja.
Nascido em Fortaleza, em 1909, numa família influente, Helder Pessoa Camara ordenou-se sacerdote em 1931. Após abandonar a vinculação ao integralismo, foi o reestruturador do movimento Ação Católica Brasileira e articulador da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que ajudou a fundar em 1952, ano em que se sagrou bispo. Em 1959, fundou o Banco da Previdência, cuja atuação desenvolveu-se especificamente na faixa da miséria.
Fruto de intensas pesquisas, numerosas entrevistas e análise objetiva de uma documentação farta e inédita, Dom Helder Camara: o profeta da paz é um livro denso e revelador.
Considerando os aspectos heróicos e as vicissitudes humanas de uma personalidade que se tornou referência mundial, a obra também contribui com o estabelecimento de alguns aspectos da relação entre a Igreja Católica e o regime autoritário pós-1964, revelando ao leitor informações conhecidas somente nas cúpulas do Estado e da Igreja.
“O século do genoma”. Talvez assim venha a ser conhecido no futuro o século XXI. Direta ou indiretamente, o estudo do dna está a nossa volta. Até programas populares de tv utilizam-se dele para alavancar sua audiência…
Este livro aborda os avanços no entendimento do dna ou rna dos microrganismos causadores de doença ao homem. Essa nova ciência alia-se à Arqueologia para esclarecer parte da história da humanidade. Mais ainda, a obra revela como vírus e bactérias têm sido protagonistas centrais, não meros coadjuvantes, do processo histórico. Capazes mesmo de “narrar” a História.
Os cientistas já são capazes de resgatar vírus que infectaram animais ancestrais e que contribuíram para o surgimento dos animais placentários, inclusive o próprio homem. Nosso dna contém suas pegadas. Identificamos as infecções que acometeram desde hominíneos ancestrais até o homem moderno, desde nossa separação dos macacos até as doenças adquiridas na África, inclusive a tuberculose – companheira eterna do homem.
Os microrganismos mostram a trajetória seguida pelo homem desde nossa saída do solo africano. Acusam também quais hominíneos o homem moderno pode ter encontrado pelo planeta (afinal, convivemos com o Homo erectus?). Revelam ainda nossa provável rota de entrada na América, a época em que iniciamos o uso de roupas etc. Sítios arqueológicos mostram, agora, a presença de dna ou rna de microrganismos e revelam parte do caos instaurado por esses agentes microscópicos.
O material genético dos microrganismos escondia parte da história da migração de animais, bem como a humana. Agora, começa a mostrar a globalização antiga e contínua dos germes, revela a história geográfica do planeta e a origem de muitas doenças humanas. Por meio do dna e rna desses germes podemos saber quando e como as epidemias atuais (como a dengue, tuberculose, aids, “gripe do frango”, ebola, hepatite etc.) iniciaram-se de maneira lenta e silenciosa anos e décadas atrás e de que forma elas condicionaram a existência humana, dizimando populações, estimulando conflitos, infectando combatentes, promovendo êxodos, propiciando miscigenação, fortalecendo ou enfraquecendo povos.
Um livro que traz a genética definitivamente para a área de ciências do homem. E que mostra que nunca mais se poderá fazer História como se fazia antes.
O editor
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Nota do autor
Um último comentário antes de seguirmos os passos dos microorganismos. O objetivo principal deste livro é documentar como o estudo genético revela a origem e história das doenças infecciosas. Escrevi da maneira mais simples possível para que a leitura fosse agradável, e não cansativa. O termo “material genético”, usado na comparação de agentes infecciosos, refere-se a algum fragmento de dna ou rna contido no microrganismo em questão que pode ser usado para a comparação. Da mesma forma que ao relatar que o dna ou rna de um determinado agente se assemelha a outro, quero explicar que são fragmentos que foram comparados. A mensagem transmitida permanece a mesma e maiores detalhes são encontrados nas notas. Utilizo o termo hominíneo para me referir aos ancestrais diretos do homem moderno já extintos, que surgiram do animal ancestral comum ao homem e chipanzé e que adquiriram a posição ereta e bipedalismo. Outras denominações já foram usadas no passado, mas esse é o termo preferido atualmente.
(Apresentação da obra História da humanidade contada pelos vírus)
“Um dicionário deve ser um ser vivo, uma súmula de vida, mais um objeto de aprendizagem que um objeto de luxo.”
José Lins do Rego. Poesia e vida: um dicionário.
Depois de muitos anos fora do mercado, vem à luz, agora pela Editora Contexto, uma nova edição do livro Dicionário de semiótica, de Algirdas Julien Greimas e Joseph Courtés. Este dicionário não é como os outros dicionários de linguística. No seu título em francês, há um termo que indica isso: raisonné. Essa palavra corresponde, em português, ao adjetivo razoado, que é um vocábulo desconhecido e desusado e, por isso, não foi utilizado no título da edição brasileira.
Evidentemente, um dicionário raisonné tem como referência a célebre Enciclopédia ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers, publicada de 1751 a 1772, sob a direção de Diderot e D’Alembert. Essa obra pretendia-se uma síntese de todos os conhecimentos produzidos até então e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre eles. Um dicionário razoado da ciência da linguagem, assim como de qualquer outro domínio do conhecimento, não é como os outros, pois não é uma lista heterogênea de entradas, recenseando todos os termos criados e utilizados pela ciência da linguagem ao longo da História, cada um remetendo a uma vizinhança conceptual diferente e a fundamentos teóricos divergentes. Um dicionário razoado não é eclético. Ao contrário, ele faz uma reflexão sobre os conceitos, inscreve-os no contexto teórico próprio, examina sua comparabilidade com outros e analisa a possibilidade de uma homologação entre eles. Ele tem uma direção teórica. Seu objetivo não é apresentar todo o conhecimento adquirido, mas enunciar problemas e circunscrever um campo de saber e de investigação. Faz uma síntese interpretativa do conhecimento em função da teoria que esposa.
O Dicionário de semiótica, de Greimas e Courtés, é um esforço de balanço do estabelecimento da semiótica como campo do conhecimento. Saussure já propusera a elaboração de uma teoria geral do signo, que seria chamada semiologia. É, no entanto, Greimas quem lidera o projeto coletivo que transforma em realidade o desiderato saussuriano, não mais concebido como teoria geral dos signos, mas como teoria geral da significação, que se debruça sobre os textos, considerados como manifestação, que se apresenta em qualquer substância da expressão (verbal, pictórica, gestual, etc.), de um discurso. Neste dicionário, estão, sob a forma de verbetes, todos os conceitos maiores da teoria semiótica, os princípios gerais que constituem sua base, os elementos que formam sua substância. Ao mesmo tempo, aparecem conceitos de outras origens teóricas, mas sempre pensados a partir das possibilidades de comparação e de homologação com as noções da semiótica. Essa obra é um inventário dos termos utilizados pela semiótica no momento em que ela foi redigida. Por isso, disse-se acima que se trata de um balanço. No entanto, cabe lembrar, como mostrava Barthes ao estudar as pranchas da Enciclopédia, que um inventário “não é uma idéia neutra, recensear não é somente constatar, como parece à primeira vista, mas é também apropriar-se”. A apropriação é uma forma de “fragmentar o mundo, dividi-lo em objetos finitos, submetidos ao homem na proporção mesma de sua descontinuidade, porque não se pode separar sem nomear e classificar” (Barthes, Roland. Nouveaux essais critiques. Paris, Seuil, 1972; Novos ensaios críticos. São Paulo: Cultrix, 1974, p. 27-41). Com efeito, há um ponto de vista teórico a presidir à seleção dos termos e à elaboração dos verbetes, que contém sempre uma síntese interpretativa do conceito em questão.
Uma teoria pode ser apresentada de modo contínuo, como uma exposição, ou de maneira descontínua, como um dicionário. A primeira é a forma habitual de expor uma doutrina. No entanto, como lembram Greimas e Courtés, isso exige que todos os seus pontos tenham o mesmo nível de elaboração teórica. Já a apresentação descontínua permite pôr lado a lado segmentos metalinguísticos cujo grau de elaboração e de formulação é muito desigual. Evidentemente, ela tem o grave inconveniente de que o corpo dos conceitos é exposto de maneira dispersa, porque eles são organizados alfabeticamente. Para evitar isso, o dicionário apresenta um duplo sistema de remissões: a) a termos colocados no final do verbete; b) a vocábulos marcados com asterisco. Assim, o dicionário permite três percursos de leitura: 1) a leitura alfabética, que é utilizada para consultar o significado de um termo em semiótica ou a maneira como ela vê uma noção de outra teoria; 2) a leitura do verbete e daqueles que têm como entrada os termos indicados ao final, que formam um conjunto de imbricações conceituais e são, assim, verdadeiros artigos (por exemplo: enunciação: ato de linguagem, debreagem, competência, intencionalidade, enunciado); 3) a leitura do verbete e daqueles que se referem a vocábulos indicados com asterisco, que permite situar o termo no interior de um componente da teoria, dando a ele um lugar epistemológico. Essas leituras cruzadas constituem caminhos ou rotas de viagem, que remetem à ordem enciclopédica, à organização razoada. São caminhos sugeridos. São indicações de passeios. Cabe ao leitor percorrer o dicionário como quiser, porque ele autoriza numerosos percursos. É um verdadeiro hipertexto.
Além disso, a apresentação da teoria em ordem alfabética, que admite, com mais facilidade, exclusões, alterações, acréscimos, indica, como dizem Greimas e Courtés, uma ideologia do saber. Um projeto científico, para eles, só têm sentido se for um objeto de busca coletiva. Por outro lado, deixa-se claro que a ciência não está nunca acabada, que ela não apresenta jamais formulações definitivas, que ela não é feita de certezas, mas que comporta determinadas permanências de objetivos.
Um dicionário, diz José Lins do Rego, é um ser vivo. Um dicionário científico, como todo e qualquer discurso, deixa ver seu direito e seu avesso: o que afirma e o que recusa. Assim, estão presentes na obra de Greimas e Courtés as grandes polêmicas científicas do século xx. Dele podemos extrair mil histórias (afinal, a narratividade é um dos componentes do percurso gerativo de sentido de todo e qualquer texto): as da criação de um campo do saber, com seus impasses, suas conquistas, suas derrotas; as da sua filiação teórica; as das exclusões e as das recuperações; as da constituição de um espaço discursivo e de um campo discursivo… Estão aí os gestos teóricos primeiros, com suas delimitações e cortes bem precisos, mas, ao mesmo tempo, subjaz a ele o desejo da totalidade. Este dicionário é uma história da semiótica da época em que foi escrito (estão de fora desenvolvimentos posteriores como a semiótica tensiva, a semiótica das paixões, a problemática da presença, etc.), mas é, ao mesmo tempo, um instrumento ainda não superado de compreensão das aquisições da semiótica e também de apresentação de possibilidades e perspectivas de trabalho. Portanto, ele está, ao mesmo tempo, voltado para o passado e orientado para o futuro. É um mapa que nos permite navegar pelo universo da significação, perdendo-nos, encontrando-nos, desconstruindo, reconstruindo, hesitando, duvidando, tendo certezas, provisórias é verdade, mas certezas. Este dicionário não fecha, abre rotas, sendeiros, caminhos… Ele desafia a imaginação dos pesquisadores, incita-os ao trabalho acadêmico. Pelo seu rigor, é exigente; pela amplitude de horizontes, é instigante. Ele não fala só ao pensamento; ele propõe-se, principalmente, a despertar a paixão do conhecimento rigoroso, mas elegante.
É preciso demorar-se sobre ele, com a paciência do conceito, é necessário saboreá-lo para não dizer inverdades e difundir preconceitos sobre a semiótica. Ela não é uma fôrma em que se enfiam todos os textos. Só quem não sabe semiótica é capaz de dizer isso ou apresentar análises escolares que dão a entender isso. Ela não recusa a História, mas, segundo lição de Hjelmslev, recupera-a a partir de um princípio de imanência. A semiótica, com seu modelo teórico, que leva em conta acima de tudo a previsibilidade, é uma ciência absolutamente necessária em nossa época, em que novos objetos textuais, nos quais os sentidos se manifestam por meios de diferentes planos de expressão, ganham um relevo muito grande por causa da rede mundial de computadores. Afinal, ao se pretender uma teoria geral da significação, ela levava em conta todos os tipos de texto, entre os quais, os sincréticos. É para a aventura do conhecimento de nosso mundo, com suas novas maneiras de textualizar, que este dicionário nos convida, nos desafia, nos aparelha.
A editoria de Política é capaz de despertar inúmeras polêmicas e controvérsias. Afinal, todos os dias a mídia divulga notícias do Planalto, do Congresso e do Senado que afetam direta ou indiretamente a sociedade.
Franklin Martins explora de forma prazerosa o dia-a-dia de um jornalista político e conta como é a relação entre a imprensa e o poder em Brasília.
Este livro – essencial para estudantes e profissionais da área – mostra que é possível para o jornalista exercer sua profissão com responsabilidade e transmitir informação isenta e correta sem se comprometer com conflitos de interesse.
Introdução do livro - por Franklin Martins
Este livro foi escrito, principalmente, para os jovens repórteres e estudantes de comunicação que, de uma maneira ou de outra, se interessam pela cobertura política e pensam em atuar nela um dia. Das palestras para universitários e das conversas com repórteres iniciantes, saio sempre com a sensação de que, ao lado da enorme curiosidade sobre o dia-a-dia do jornalismo político, há também grande desconhecimento a respeito das dificuldades, dos obstáculos, dos estímulos e das gratificações que encontramos pela frente. Como já tenho um bom tempo de estrada e passei por quase todos os tipos de mídia, cheguei à conclusão de que minhas experiências e reflexões poderiam ajudar a turma mais nova a abrir seu próprio caminho.
Faz mais de quatro décadas que, ainda moleque, com quinze anos, comecei a trabalhar em jornal. De lá para cá, fiz de tudo um pouco. Cobri geral, internacional, agricultura e política – muita política. Mexi com jornal, agência de notícias, rádio, televisão e internet. Atuei na imprensa estudantil e sindical. Durante a ditadura, passei mais de dez anos escrevendo em jornais clandestinos e ajudando a publicá-los. Colaborei com a imprensa alternativa no período da redemocratização. Anistiado, trabalhei em jornais nanicos e, mais tarde, em jornalões. Fui foca, repórter, redator, correspondente internacional, editor, colunista – e chefe também. Mas gosto mesmo é de correr atrás de notícia e de interpretar os fatos no momento em que eles estão ocorrendo.
Talvez seja pretensão, mas espero também que este livro possa contribuir de alguma forma para que o grande público entenda um pouco mais o trabalho dos jornalistas e tenha uma idéia mais clara sobre sua rotina, cacoetes, dúvidas, sonhos, angústias e alegrias. Por isso mesmo, evitei usar linguagens cifradas e dirigir-me apenas aos iniciados. Nós, jornalistas, exercemos uma profissão importante demais para nos comportarmos como integrantes de uma seita. Precisamos da vigilância e da crítica permanente da sociedade. Quanto mais conhecerem o nosso trabalho, melhor. Mais precisas serão as cobranças e mais razoáveis, as expectativas.
Sou muito grato a todos que me ajudaram a checar fatos, tirar dúvidas e esclarecer episódios mencionados neste livro. Agradeço especialmente a Christiana Lôbo, Eliane Cantanhede, Helena Chagas, João Domingos, Luiz Carlos Azedo, Tales Faria e Tereza Cruvinel, que não só tiveram a paciência de ler os originais, como fizeram críticas e sugestões extremamente valiosas. Como de praxe, registro que ninguém, além do próprio autor, é responsável pelo que aqui vai publicado.
Foi com muita alegria que recebemos a notícia de que estamos entre os vencedores da 50ª edição do Prêmio Jabuti, na categoria “Melhor livro de Ciências Humanas”, com o livro Os japoneses– escrito por Célia Sakurai. Ficamos em segundo lugar na categoria.
Aproveitamos o momento para parabenizar toda equipe da Editora Contexto por essa conquista, fruto do trabalho intenso e cuidadoso de cada um. Parabéns!
O fascínio da fotografia sobre todos nós está naquilo que por meio dela nossos olhos visitam em nosso passado, no de nossos antepassados e de nossos contemporâneos. Está também na nossa estranha relação com os álbuns de família ou as caixas de sapato em que guardamos esses ícones da nossa memória afetiva.
Recheado de fotografias, este livro mostra como o visual vem se tornando cada vez mais documento e instrumento indispensáveis na leitura sociológica de fatos e fenômenos sociais.
José de Souza Martins – um dos mais importantes sociólogos brasileiros – coloca-se em uma linha antagônica à de Howard Becker, pai da Sociologia Visual (campo em que a obra se situa), marcada por um forte positivismo, que violenta a polissemia da fotografia.
Os capítulos abordam ocultações e revelações intrínsecas às imagens: a vida cotidiana, os atos de fé, a imagem comum, a presença do ausente no Carandiru, o impressionismo na fotografia e a sociologia da imagem.
A obra, situada no campo da metodologia na Sociologia, é leitura importante e necessária para sociólogos, historiadores, antropólogos, fotógrafos e estudiosos da fotografia.
José de Souza Martins é um dos mais importantes cientistas sociais do Brasil. Professor titular de Sociologia da FFLCH – USP, recebeu o prêmio Érico Vannucci Mendes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 1993, pelo conjunto de sua obra e o prêmio Florestan Fernandes da Sociedade Brasileira de Sociologia em 2007. Pela Contexto, publicou A sociabilidade do homem simples.
No mundo moderno temos o dever de ser belos, magros, ter cabelos lisos e parecer “naturais” diante do espelho, de nós mesmos, diante dos outros. E, para conquistar mais saúde, juventude e beleza, os caminhos científicos e industriais não cessam de se multiplicar.
O Brasil atualmente é o segundo país no mundo em número de cirurgias plásticas, só perde para os Estados Unidos. Homens e mulheres em busca da perfeição corporal são cortados, costurados, espetados por agulhas, queimados por raios laser, besuntados e massageados com cremes. No entanto, essa busca por se construir o “super-homem” e perseguir uma suposta perfeição já levou diversas nações a atitudes extremadas. Assim, evoluir a cada geração, se superar, ser saudável, ser belo, ser forte. A democratização da beleza, para alguns; ou a vulgarização dos corpos, para outros; todas essas afirmativas estão contidas na concepção de eugenia.
Com status de disciplina científica, a eugenia pretendeu implantar um método de seleção humana baseado em premissas biológicas. E isso através da ciência que sempre se dizia neutra e analítica. Em Raça pura: uma história da eugenia no Brasil e no mundo, Pietra Diwan – experiente historiadora e pesquisadora do tema – abre a “caixa preta” da eugenia e desata os nós da rede de relações que compõe a empreitada, seus adeptos, incentivadores e financiadores. Leitura agradável e estimulante, este livro revelador é de grande valia para historiadores, sociólogos, jornalistas e demais interessados.
Este é o segundo e último volume de Os monoteístas. Junto com o primeiro, recentemente publicado pela Editora Contexto, formam uma obra completa sobre judeus, cristãos e muçulmanos. São volumes interdependentes, não sendo essencial que se leia o primeiro para se entender este, ou vice-versa. Mas não é difícil prever que, concluído um volume, fatalmente o leitor se interessará pelo outro…
Enquanto o primeiro compara os povos que adotaram o monoteísmo e descreve sua trajetória histórica, este se preocupa em falar das crenças, mostrando o desenvolvimento das idéias – principalmente as religiosas – e das instituições. Aqui o autor se ocupa em mostrar a evolução daquelas que são consideradas as verdades religiosas, desde a confecção até a cristalização das Escrituras, suas interpretações oficiais ou tradicionais, assim como eventuais ramificações e desvios de rumo, como as heresias.
Nessa linha, o livro dá a palavra aos grandes “explicadores”, como Maimônides, Agostinho e Ibn Khaldun, assim como revela as formas encontradas pelas pessoas para seguir as palavras divinas (como eremitas, monges, rabis, comunidades fechadas, comunidades minoritárias, grupos hegemônicos) e ensiná-las (escolas religiosas, ensino religioso).
Um dos aspectos mais fascinantes do livro é quando ele compara noções e conceitos como: pecado, paraíso/céu/inferno/purgatório, anjos, demônios, messias, santos ou outros intermediários, possibilidades e limites da ação humana (assuntos como livre-arbítrio, predestinação, responsabilidade, impotência diante dos desígnios divinos ou possibilidade de interseção, ou seja, de “negociação” com Deus), o Fim dos Tempos, os castigos e as recompensas.
A obra termina falando dos cultos e das principais festas religiosas (inclui peregrinações, períodos de purificação etc.), das liturgias, dos ídolos e das representações, de algumas devoções “oficiais” e de crenças populares.
O que este livro tem de diferente? Primeiramente o autor, que além de grande especialista, escreve bem, tem texto claro e vigoroso. Deve-se notar que, embora muitas vezes irônico, mantém o respeito, não é tendencioso e busca a neutralidade, preocupando-se com conclusões apenas após fornecer as informações, algo meio incomum na área.
O livro foi objeto de cuidadosa tradução. O leitor desta obra ficará com uma base sólida para entender de uma área sobre a qual sobram mitos e faltam boas análises, principalmente em língua portuguesa.
Conhecer bem o assunto não reforçará nem abalará a fé das pessoas, mas seguramente fará com que elas fiquem mais tolerantes. É sempre bom compreender as razões do outro. Ou até poder criticá-lo com mais fundamento.
É possível conhecer a Filosofia a partir de sua história? Paulo Ghiraldelli Jr., autor deste livro, escrito especialmente para o público brasileiro, garante que sim.
Por meio de uma narrativa agradável e fascinante, que parte dos chamados pré-socráticos e chega até Santo Agostinho, trata de questões como o Bem, o Estado justo, a finalidade da vida, problemas que sempre fizeram e continuam fazendo parte de nossas preocupações.
Se antes eram poucos os privilegiados que podiam entrar na Academia de Platão, hoje conhecer filosofia é importante para uma gama maior de pessoas.
O objetivo desta obra é tornar cada leitor um pensador autônomo. Afinal, garante o autor, filosofar não é tão difícil assim.
Trecho do livro:
A história da filosofia é uma história. É apenas uma história? Para a maioria dos grandes filósofos, a história da filosofia era por si mesma filosófica – e seu leitor não iria “ficar sabendo de fatos”, mas iria começar a filosofar por meio dela. Por isso, vários dos grandes filósofos filosofaram escrevendo uma história da filosofia. (…)
Pronto. O sonho finalmente tem chances de virar realidade. O primeiro trabalho em uma redação. E agora? O que esperar? Como são os colegas? Chefe? Entrevistados? O que fazer? Como se portar? E, principalmente, como conseguir ser um bom repórter?
Em “Os segredos das redações“, o jornalista saberá como é o dia-a-dia do ofício que escolheu seguir. Visitará os bastidores de uma das profissões mais romantizadas do planeta.
Em um livro ousado, Leandro Fortes evita dizer como a profissão deveria ser. Ele conta como ela é. E isso inclui dizer que “há regras obscuras dentro das redações, muitas delas ditadas por chefes sem escrúpulos, puxa-sacos subservientes e sem caráter”. E ainda que “o jornalismo é uma profissão apaixonante, viciante e corajosa, cheia de boas conseqüências para a sociedade, mas repleta de alminhas pequenas abertas ao suborno e ao achaque”.
Obra imperdível para jornalistas e estudantes de comunicação.