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16 de março (1990) | Plano Collor confisca cadernetas de poupança

Sugestão de livro: “História do Brasil Contemporâneo: da Morte de Vargas aos dias atuais”, de Carlos Fico

Há 28 anos era anunciado o confisco por 18 meses do dinheiro depositado nas cadernetas de poupança com mais de Ncz$ 50mil (Cruzado novo). A medida fazia parte do pacote econômico editado pelo presidente Fernando Collor de Mello no dia seguinte de sua posse, o chamado Plano Brasil Novo (ou Plano Collor).

Foi decretado feriado bancário de três dias. O clima era de perplexidade. Ninguém esperava por medidas tão radicais, sobretudo o bloqueio do dinheiro. Quando os bancos voltaram a funcionar, a população fazia fila nas portas das agências, que não tinham dinheiro disponível para cobrir os saques dos clientes.

Como consequência, as vendas no comércio caíram drasticamente. Os saques nas cadernetas ou na conta-corrente foram limitados a 50 mil cruzados novos. Além dessa medida, o Plano Collor também determinou a substituição do Cruzado Novo pelo Cruzeiro à razão de NCz$ 1,00 = Cr$ 1,00. Também foram congelados preços e salários, houve aumento de preços dos serviços públicos (gás, energia elétrica, serviços postais) e a liberação do câmbio e várias medidas para promover uma gradual abertura na economia brasileira.

O chamado Plano Collor Um foi elaborado pela equipe chefiada pela ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, que incluía o secretário do Planejamento, Antônio Kandir, o e presidente do Banco Central, Ibrahim Eris. Eles previram um congelamento de recurso equivalente a 30% do Produto Interno Bruto.

Fernando Collor em foto oficial como Presidente da República.

Esse era o quarto plano econômico que os brasileiros enfrentavam em cinco anos. Os anteriores ocorreram no governo José Sarney, como o plano Cruzado de 1986, o Bresser, de 87 e o Verão, de 89. Todos fracassaram na tentativa de controlar a inflação.

Antes do Plano Collor Um o país estava mergulhado na hiperinflação. Os supermercados remarcavam os preços até de madrugada. O valor dos produtos quase dobrava de um mês para o outro.

O arrocho da política econômica mergulhou o país numa recessão histórica e o presidente Collor teve que rever as medidas com a liberação do dinheiro retido nos bancos; e a inflação voltou a explodir. A economia brasileira só seria estabilizada em 1994 com o lançamento do Plano Real.

O Plano Collor foi esquecido, mas o confisco da poupança está até hoje na memória dos brasileiros.


Fontes: O Globo / SeuHistory / EBC